"/{Uma quase resposta ao amigo R.V."/}
Comungar é ter comunhão, comunhão vem das palavras "comum" e "um" do nosso bom e velho latim.
Comungar está muito além do que acontece na Santa Ceia (que é dogmaticamente diferente da noção da Eucaristia). Comunhão é pelo que Jesus ora em João 17.21: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste".
A oração de Jesus é por unidade.
Unidade é algo além da simples visita a igreja em dia de ceia. A cultura que se formou em torno da Igreja nos leva a perder a noção de corpo. Inúmeros cristãos freqüentam inúmeras igrejas, ao vivo, pela TV ou computador.
Entende-se uma certa lei de mercado aplicado à Igreja, onde você pode escolher a melhor igreja para você. Não há noção de família, de pertencimento de nada. Isso é um grande perigo. Um cristão que não está plantado é uma árvore sem raízes.
Hoje, tudo é muito superficial, as pessoas acham que se comunicam, acham que se conhecem, acham que está tudo bem e acham que a vida é assim mesmo. Por isso, “não se conjuga mais e ninguém mais comunga”. Comunhão é certamente uma coisa perigosa (porque envolve seres humanos), e envolve basicamente coisas como negar a si mesmo, como amar o próximo, como acreditar que a vida na Igreja vale à pena e a disposição de sermos um como o Filho e o Pai são.
Seria muito pretensioso dizer como se alcança essa unidade, mas seria pecaminoso negar essa necessidade.