22.4.10

"Ninguém Mais Comunga"



"/{Uma quase resposta ao amigo R.V."/}

Comungar é ter comunhão, comunhão vem das palavras "comum" e "um" do nosso bom e velho latim.

Comungar está muito além do que acontece na Santa Ceia (que é dogmaticamente diferente da noção da Eucaristia). Comunhão é pelo que Jesus ora em João 17.21: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste".

A oração de Jesus é por unidade.

Unidade é algo além da simples visita a igreja em dia de ceia. A cultura que se formou em torno da Igreja nos leva a perder a noção de corpo. Inúmeros cristãos freqüentam inúmeras igrejas, ao vivo, pela TV ou computador.

Entende-se uma certa lei de mercado aplicado à Igreja, onde você pode escolher a melhor igreja para você. Não há noção de família, de pertencimento de nada. Isso é um grande perigo. Um cristão que não está plantado é uma árvore sem raízes.

Hoje, tudo é muito superficial, as pessoas acham que se comunicam, acham que se conhecem, acham que está tudo bem e acham que a vida é assim mesmo. Por isso, “não se conjuga mais e ninguém mais comunga”. Comunhão é certamente uma coisa perigosa (porque envolve seres humanos), e envolve basicamente coisas como negar a si mesmo, como amar o próximo, como acreditar que a vida na Igreja vale à pena e a disposição de sermos um como o Filho e o Pai são.

Seria muito pretensioso dizer como se alcança essa unidade, mas seria pecaminoso negar essa necessidade.

5.4.10

Sei lá...

Não sei bem aonde chegar, mas vamos indo que não podemos parar. Antes que o mundo se quebre vamos pô-lo a rodar.

Como as palavras por vezes fogem, ficamos sem saber como dizer. Tudo é muito corrido, tanto que não sobra tempo para coisas pequenas como comer bem, pensar bem ou viver bem.

Perdido no meio dessa bagunça, empacotando e etiquetando o que é e o que não é, não se pensa mais em fins que não sejam pragmáticos, em meios que não sejam práticos e em princípios, não se pensa mais.

Diz-se que vale mais escrever que ler, falar que ouvir, ter do que ser. Diz-se muito, de fato, não se ouve, não se conjuga mais, ninguém mais comunga. O mundo moderno é a síntese do prefácio do livro que não se lê porque já saiu em filme.

24.2.10

Aprendendo a conversar com Deus

//{Aqui vai um texto escrito por Letícia Thompson e enviado por alguém que já se comprometeu a nos prestigiar futuramente com suas ideias, Camila Sardinha.//}

Para conversar com Deus é preciso antes de tudo aprender a estar em silêncio.
Muitos se queixam que não conseguem ouvir a voz de Deus e, portanto, não há nenhum mistério.
Deus nos fala. Mas geralmente estamos tão preocupados em falar, falar e falar, que Ele simplesmente nos ouve. Se falamos o tempo todo, nada mais natural que ouvirmos o som da nossa própria voz. Enquanto nosso eu estiver dominando, só ouviremos a nós mesmos.
A maneira mais simples de orar é ficar em silêncio, colocar a alma de joelhos e esperar pacientemente que a presença de Deus se manifeste. E Ele vem sempre. Ele entra no nosso coração e quebranta nossas vidas. Quem teve essa experiência um dia nunca se esquecerá.
Nosso grande problema é chegar na presença de Deus para ouvir somente o que queremos. Geralmente quando chegamos a Ele para pedir alguma coisa, já temos a resposta do que queremos. Não pedimos que nos diga o que é melhor para nós, mas dizemos a Ele o que queremos e pedimos isso. É sempre nosso eu dominando, como se inversamente, fôssemos nós deuses e que Ele estivesse à disposição simplesmente para atender a nossos desejos. Mas Deus nos ama o suficiente para não nos dar tudo o que queremos, quando nos comportamos como crianças mimadas. Deus nos quer amadurecidos e prontos para a vida.
Quem é Deus e quem somos nós? Quem criou quem e quem conhece o coração de quem? Somos altivos e orgulhosos. Se Deus não nos fala é porque estamos sempre falando no lugar dEle.
Portanto, se quiser conversar com Deus, aprenda a estar em silêncio primeiro. Aprenda a ser humilde, aprenda a ouvir. E aprenda, principalmente, que Sua voz nos fala através de pessoas e de fatos e que nem sempre a solução que Ele encontra para os nossos problemas são as mesmas que impomos. Deus também diz "não" quando é disso que precisamos. Ele conhece nosso coração muito melhor que nós, pois vê dentro e vê nosso amanhã. Ele conhece nossos limites e nossas necessidades.
A bíblia nos dá este conselho: "quando quiser falar com Deus, entra em seu quarto e, em silêncio, ora ao Teu Pai."
Eis a sabedoria Divina, a chave do mistério e que nunca compreendemos. Mas ainda é tempo...
Encontramos no livro de Provérbios a seguinte frase:
"as palavras são prata, mas o silêncio vale ouro."
A voz do silêncio é a voz de Deus. E falar com Ele é um privilégio maravilhoso acessível a todos nós.
Letícia Thompson

8.2.10

A Cereja do SunDay⁴

Com Cristo no barco

  Por que custamos tanto para entender que devemos ser imitadores de Cristo, conforme nos escreve o apóstolo? Depois de operar um tremendo milagre – a multiplicação de pães e peixes – Jesus se retira para orar! O Verbo Encarnado se retirava para orar!

  O Verbo Encarnado também precisava se retirar de quando em vez para orar ao Pai em secreto, subir o monte. Ao fazer isso, enviou os discípulos à frente para depois os encontrar.
Ainda assim, ao retornar de forma maravilhosa, Jesus assusta os discípulos pela maneira como Ele se aproxima: quantas vezes não somos desafiados por situações que julgamos ser uma ação diabólica e na verdade se trata do próprio Deus vindo em nossa direção? Nos assustamos porque temos nosso coração endurecido, porque achávamos que Deus deveria aparecer para nos salvar de uma determinada maneira e não da maneira como Ele quer.

  Precisamos aprender que o Senhor faz tudo novo, que nos surpreender é uma de suas especialidades! Ainda bem. Assim, somos convidados por Ele a buscar coisas novas, novas experiências Nele, a crer que ele não nos abandonará. Nunca. Jamais.

5.2.10

Senhor Austragésio

Senhor Austragésio, sentado no muro pensando na vida
olhando as nuvens, com seus botões e cadarços de camurça
tirou férias da vida, da lida, do quintal que seco murcha
viajou uns dias, outros nem tanto, mas nos olhos mantinha

Aquele brilho de quem quer ir e voltar, e de sempre estar
aqui e lá, mas que sempre fica pra contar mais uma estória
porque por mais que se vá tem-se que sempre a um porto voltar
pra todo causo, conto, cantiga se eternizar como memória

Senhor Austragésio, sentado no muro pensando fica
olhando a lua, a aurora, a luz que de súbito nasce
que se vai devegar sem muito se importar com a face
de Austragésio, olhando pasmo o retorno súbito à vida

De quem esteve longe, andando como um monge cavalheiro
como um trovador guerreiro, ou um poeta bravio e rude
mas feliz, saudoso de tudo, do céu do mar e seu cheiro
Senhor Austragésio volta ao fim, ao início, à Quietude

7.1.10

Que descolorirá

  O futuro é uma coisa que não dá pra ver, não se sabe o que é até que ele se descortine. Não é algo que se possa controlar, é como uma fera selvagem que pode nos agraciar com doçura ou atacar nossa vida. Está sempre pronto para mudar a nossa vida e com um sorriso - que talvez pareça cínico - nos convida a irmos adiante.

   E nós, ficamos como que diante de um muro esperando pelo que possa vir do outro lado. Nos prendemos ao que temos do lado de cá, colorindo nosso muro com as esperanças de um futuro, sem mesmo conseguir reconhecer o que é o futuro. Nossas esperanças e sonhos ficam no muro, nós achamos que o muro é o futuro, e tudo o que nós temos.

   Às vezes o muro é belo, às vezes, sombrio, nos mostra suas entranhas. Mas é muro. O que nos engana é o muro. Porque não podemos ver além ou através dele, porque não sabemos o que há do outro lado. Nos perdemos nos detalhes do que temos à vista, nos perdemos em suas saliências e defeitos, tentando concertá-lo e fazê-lo um muro melhor pra que possamos olhar.

   Mas o muro é pura aquarela, cor e água. O muro é mundo, o futuro não está nele. O que nos aguarda, o que é nossa esperança, não é o que vemos, não é o que pintamos, sequer temos esperanças à altura do que há além do muro. O muro é tudo o que fizemos e o que fizeram, o que pintamos, o que borraram e que tentamos retocar, mas é mundo, não é nosso porque não somos dele. Tudo aqui é feito com aquarela. Tudo aqui descolorirá. Nossa esperança, está além do muro. Nossa esperança não descolorirá.

22.12.09

Então, é Natal(?)

Pisca-pisca, azevim, grená, aquele velho gordo.
Lombo, mousse de bom-bom, e aquela louça guardada.
Embrulho, enfeite, parentes, aquele cara na Tevê.
Meias, gravatas, chaveiros naquele mesmo pinheiro.


Pisca-Pisca, avelã, nozes, vai lá o meu dinheiro.
Chester, farofa, um bom vinho e o velho pavê.
A avó do primo do amigo do vizinho não trouxe nada.
Louça suja, menos dois copos, comeram meu doce todo.


Talvez eu me lembre, se eu não estiver aturdido
Talvez eu perceba que há nisso uma simples razão
Se Emanuel não estivesse, nada mais estaria


Então é natal, por aqui Você ter vindo
Então obrigado, e se eu esquecesse a canção
Hosana nas alturas o coral inda cantaria